Como alimentar a nossa autoestima e preservá-la de forma saudável pode influenciar positivamente no nosso aprendizado da Dança do Ventre – Rachel Rodrigues


Vocês já repararam em como a nossa autoestima influencia (e muito) nas nossas ações, no nosso dia a dia e na nossa percepção de mundo? Isso acontece porque a autoestima diz muito sobre como nos sentimos sendo nós mesmos. E como é ser você mesmo? Esta é uma reflexão que poderíamos fazer todos os dias, como um exercício diário, um reforço positivo do nosso ser.

Toda atividade física possui um grande reflexo positivo em nosso corpo e em nossas vidas, pois, além de nos proporcionar maior qualidade de vida, libera uma série de hormônios ligados a felicidade, ao prazer e ao humor, o que tende a ajudar significativamente em problemas ligados a depressão e ansiedade. A Dança do Ventre, em particular, alia tudo isso à descoberta do próprio corpo, à admiração da própria imagem e a capacidade de desenvolver um amor próprio genuíno.

Nas salas de aula chegam muitas meninas e mulheres distintas entre si, que chegaram ali com propósitos particulares e cada qual carregando uma carga emocional e uma história de vida diferente das outras, por isso é tão importante que a chegada de uma nova integrante seja sempre uma acolhida positiva, tanto da percepção da professora, quanto das alunas. É preciso compreender que muitas mulheres chegam para serem curadas e outras para curar.

Uma sala de aula onde se pratica a empatia e o respeito ao próximo é certamente um ambiente seguro e favorável para desenvolvermos a nossa autoestima e influenciar positivamente as demais, que, uma vez seguras de si, absorvem a técnica dos movimentos de modo muito mais rápido e coerente, pois se olhar no espelho deixa de ser um fardo e passa a ser um momento de contemplação, admiração e respeito ao próprio corpo. Uma sala de aula dançante sempre será um espaço com pluralidades de corpos e a Dança do Ventre é tão generosa que permite que todos explorem e vivenciem o seu melhor, partindo da mesma técnica e observando a criação dos movimentos

Quando uma mulher se permite dançar, ela muda. Essa transformação acontece de dentro pra fora, o seu modo de ver a vida e de se enxergar no mundo muda, o modo como ela se comporta e se porta em diversas situações muda e o poder feminino que é despertado conforme a mulher se percebe como um ser dançante é libertador, a cura acaba sendo uma consequência de todo bem-estar vivenciado em sala de aula e na troca de energia com outras mulheres, que passam a vibrar na mesma frequência.

Dito tudo isso, a pergunta que fica é, como é possível aliar o sentimento positivo e a autoestima à Dança do Ventre e como isso pode melhorar a minha dança? A resposta é, antes de ser uma bailarina melhor, seja uma pessoa melhor.

Deixe que a construção da sua bailarina também aconteça de dentro pra fora e, com pequenas mudanças de atitude, se transforme em uma pessoa melhor a cada dia, praticando a empatia, a gratidão e o perdão, cultive amor dentro de si e veja os reflexos dessas mudanças na sua dança, nos seus movimentos  e na forma com que você assimila o aprendizado. Aos poucos, ao invés de repetir a si mesma durante as aulas “não consigo”, estará mentalizando algo como “estou melhorando, meu corpo já responde melhor” e tão logo se perceberá como um ser único e especial e evitará as comparações e os julgamentos alheios, porque o que importará é a sua caminhada, a sua evolução.

A Dança do Ventre atua de forma direta e assertiva nesse desenvolvimento da autoestima, pois dançando somos livres para nos expressar de forma única e autoral, é possível imprimir a nossa alma em cada movimento, nosso humor em cada gesto. É na Dança que conectamos o nosso corpo à nossa mente e com a técnica aprendemos como compreender a anatomia do nosso corpo é fundamental para a execução dos movimentos e como a consciência corporal amplia a nossa visão sobre nós mesmos e nos aproxima da nossa mente, que precisa estar em pleno funcionamento para guiar de forma correta os nossos movimentos.

Se temos uma visão distorcida sobre nosso corpo, ou se não somos capazes de nos sentirmos bem dentro dele, também não seremos capazes de explorar e experimentar a dança em sua plenitude e, sendo a autoestima algo tão inconstante, que muda e oscila de tempos em tempos, muitas vezes por influências externas e pelas formas com que absorvemos as coisas ao nosso redor, é muito importante que possamos fazer algo para nutri-la e para influenciar o seu desenvolvimento de maneira positiva. Nos aproximar de pessoas, frequentar lugares e praticar atividades que gostamos é uma forma de nos mantermos felizes e equilibradas, perante os desequilíbrios da vida.

Professores, permitam que suas alunas se olhem com amor, ensinem a técnica, a teoria, a história, mas também fale sobre respeito ao próximo, sobre respeitar a si próprio, sobre observar a dança em todos os corpos, mas não se compararem, não estimulem a competição, pois isso segrega as mulheres, estimulem a arte, a criatividade, a musicalidade, o aprendizado, a dança e o amor, isso nos une. Alunas pratiquem a empatia em sala de aula, respeite a arte que está em evolução no seu corpo, respeite os corpos e principalmente respeite o tempo do seu corpo. Que a cada aula sejamos capazes de olhar para o espelho e admirar a beleza do nosso reflexo, dos nossos movimentos em constante evolução, que possamos enxergar em nós a melhor versão do poder feminino que nos habita, pois só assim é que seremos capazes de nos amar um pouquinho mais a cada dia, de nos aceitar plenamente, mesmo perante nossas imperfeições.

E se você ainda não experimentou, se permita dançar, experimente esta transformação que começa dentro de nós e se traduz em movimento, que a dança seja amor na sua vida, que as aulas sejam um momento de entrega e cuidado com si mesma e com o seu corpo, que é nosso templo, que dançando você perceba o quão poderosa você é, respeitando suas particularidades, estágios de vida e evolução. Que a Dança do Ventre seja uma fonte capaz de alimentar não só o seu corpo e a sua mente, mas a sua alma, que possa nutrir a sua feminilidade e aflorar a sua sensualidade de forma natural, para que sua passagem por este mundo possa ser mais leve, dançante, cheia de energia, poder e beleza. Desenvolver a autoestima dançando é uma das coisas mais prazeirosas que existem, ao passo que dançar para transformar a nossa autoestima é libertador.

Namastê

Rachel Rodrigues

 

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  • Fantástico sua definição sobre o assunto professora Rachel….não há dúvidas de que pessoas que se entregam a atividades físicas com alegria e prazer alimentam a alma com sabedoria e cuidam do corpo com responsabilidade. E é esse conjunto de ações que nos permite uma vida feliz e saudável independente de idade, dificuldades, possibilidades. Parabéns a vc pelo cuidado e dedicacao com suas alunas e a transparência com que trata a dança do ventre…

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